“… e viu, e creu.” (Jo 20.8)

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Já disse outras vezes que há uma importância fundamental na maneira como vemos as coisas. Há um poder extraordinário no olhar. O olhar determina o que somos o que fazemos como vivemos e existimos. Neste episódio, narrado apenas pelo evangelista João, Maria Madalena, ao visitar o sepulcro de madrugada, “viu a pedra removida”. Pedro que chega depois de João, ao entrar no sepulcro, “viu os lençóis no chão”. João que chega primeiro, mas entra depois, ao entrar, “viu, e creu”.
Aí você me pergunta: “O que há de interessante nisto?”. Eu respondo: “Os verbos gregos que João usa para diferenciar o olhar de cada um!” Isto, sim, faz toda a diferença! Semelhantes a estes discípulos, ante ao fato da Ressurreição, somente nosso olhar é que dá significado do fato a nossa existência. É a visão do fato que dá significado ao fato. Seja ele significativo ou não em si mesmo. Se não, vejamos:
Maria viu com os olhos naturais. O verbo grego usado é “blepo”, que significa apenas “notar” ou “observar”. Esta é a maneira como muitos reagem ante a mensagem do Evangelho. Eles sabem. Eles ouvem. Eles tomam conhecimento, mas nada os chama à atenção. Vivem na indecisão e acomodação da vida. Tudo passa imperceptível diante dos sentidos e do coração. São aqueles que sabem apenas que a pedra foi removida, mas nunca tomam a coragem de entrar no sepulcro para verificar se o corpo ainda está lá. Para estes só haverá a possibilidade de crer no Evangelho quando chocados por uma manifestação divina em suas vidas, tal como Maria diante do jardineiro no jardim do sepulcro.
Pedro viu com os olhos intelectuais. O verbo grego usado por João é “thereo”, que significa “verificar algo”, “ver com interesse ou atenção”, “consultar”, “compreender com o intelecto” e “investigar”. Pedro representa todos os que chegam a servir na igreja, fazer parte da liderança e colar grau num seminário, mas tudo não passa de conhecimento e nada mais. Tornam-se tão conhecedores das Escrituras como os escribas e fariseus, mas tão incrédulos, cegos e afastados do reino de Deus como eles. A mente é capaz de assimilar coisas que não chegam ao coração, que não transformam a vida e não mudam o ser. Seria o seu caso?
João viu com os olhos espirituais. O verbo grego usado aqui é “eidon”, que significa “saber”, “conhecer por nome”, “percepção”, “saber segredo”, “ver com o coração”. Não é preciso dizer que a Ressurreição é um fato a ser visto somente com a visão da fé. A ponto de este fenômeno mudar nossa existência. A ponto de ser a temática do meu falar e a razão do meu existir. Só quando eu me sentir assim, saberei com que tipo de olhar eu vi a Ressurreição.
Você sabe qual o seu olhar humano da Ressurreição?
Por: Pastor Adriano Moreira























