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30
jul

Huldrich Zwingli

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Principal líder da Reforma na Suíça, Zwingli não deixou uma igreja organizada, mas suas doutrinas influenciaram as confissões calvinistas.

Huldrich Zwingli nasceu em Wildhaus, cantão de Sankt Gallen, Suíça, em 1º de janeiro de 1484. Estudou nas universidades de Viena e Basiléia, e aos 22 anos ordenou-se e ocupou a paróquia de Glarus, onde conheceu as idéias de Erasmo. Transferiu-se em 1516 para Einsiedeln. Foi nomeado pregador do colegiado de Zurique em 1518, quando passou a criticar a corrupção eclesiástica.

A partir de 1522, ano em que se casou secretamente com Anna Reinhard, Zwingli se empenhou na obra da Reforma. Partindo do princípio de que só a Bíblia contém a doutrina necessária para a salvação, preparou 67 breves artigos de fé. Neles afirmava que Cristo é o único chefe da igreja e que a salvação se opera pela fé. Em De vera et falsa religione commentarius (1525; Comentário sobre a verdadeira e a falsa religião), negou o caráter sacrificial da missa, a salvação pelas obras, a intercessão dos santos, a obrigatoriedade dos votos monásticos, a existência do purgatório. Afirmou o caráter simbólico eucaristia, divergindo de Lutero, que tomava de firma literal as palavras de Cristo “este é o meu corpo”.

Dada a importância política da Suíça, os papas não inteferiram diretamente e, com o apoio de autoridades suíças, as transformações foram rápidas: casamento de padres e freiras (o próprio Zwingli tornou público seu casamento em 1525), batizados e enterros de graça, eliminação das imagens e relíquias, além da transformação de conventos em escolas e supressão da missa. A expansão da Reforma suíça, porém, foi limitada. Cantões rurais conservadores, ao lado de Lucerna, opuseram-se às reformas e criaram uma frente de resistência em 1524.

Zwingli tentou sem êxito a aliança entre Zurique, França e a Savóia, mas conseguiu organizar uma Aliança Cívica Cristã, que em 1529 já contava com vários cantões, iniciando-se a luta armada. Decidido a pôr fim ao perigo de intervenção imperial, em face da hostilidade dos cantões católicos, Zwingli instou o Conselho de Zurique a atacá-los e, ao acompanhar as tropas como capelão, encontrou a morte em batalha, perto de Kappel, em 11 de outubro de 1531.

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30
jul

Martinho Lutero

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Defensor da idéia de que o perdão divino é um dom a ser aceito e não um prêmio a ser conquistado, Martinho Lutero liderou a Reforma, movimento religioso que, nas primeiras décadas do século XVI, levou à fundação do protestantismo.

Martinho Lutero nasceu em 10 de novembro de 1483, em Eisleben, Saxônia-Turíngia, na Alemanha. Era filho de um mineiro que chegou a conselheiro na pequena cidade de Mansfeld. Lutero cresceu num ambiente religioso e de disciplina rigorosa. Depois de estudar em Magdeburgo e Eisenach, ingressou na Universidade de Erfurt, onde obteve o grau de bacharel em artes em 1505. Decidiu então seguir a vida religiosa e solicitou sua admissão na ordem dos eremitas agostinianos de Erfurt.

O convento de Erfurt seguia rigorosamente a regra agostiniana. Depois de estudar teologia durante dois anos, Lutero ordenou-se em 1507. Prosseguiu sua formação na Universidade de Wittenberg e recebeu a proteção do vigário-geral dos agostinianos da Alemanha, Johann von Staupitz, que o enviou a Roma, em 1510, para tratar de assuntos da ordem. Nessa viagem, Lutero ficou chocado com a frivolidade da cúria romana. Depois de doutorar-se em teologia, em Wittenberg, em 1512, dedicou os anos seguintes a atividades pastorais e ao ensino de teologia, enquanto amadurecia sua doutrina sobre a justificação pela fé, idéia fundamental do luteranismo.

A ruptura com a hierarquia católica iniciou-se em 1517. Indignado com os abusos na venda de indulgências — que permitia a comutação parcial de penitências em troca do pagamento de uma soma em dinheiro –, Lutero afixou, na porta da igreja do castelo de Wittenberg, as 95 teses que formulara contra o sistema de indulgências. O escrito teve imediata repercussão na Alemanha, cujos príncipes mantinham relações tensas com Roma e com o imperador. O sucesso alcançado por suas idéias encorajou Lutero a atacar, em 1518, os métodos teológicos da filosofia escolástica, apoiado por seu colaborador Philipp Melanchthon. Lutero enviou ao papa Leão X um documento no qual sustentava que as indulgências não haviam sido instituídas por Cristo, mas pelo papado.

Nesse mesmo ano, o papa chamou Lutero a Roma, sob a acusação de heresia, mas o príncipe eleitor Frederico III conseguiu que Lutero fosse levado para uma entrevista pessoal com um enviado do papa em Augsburgo. Ali , Lutero se negou a retratar-se e, depois, negou a autoridade divina do papa. Ante sua iminente excomunhão, decidiu registrar suas opiniões por escrito e redigiu, em 1520, três célebres tratados que estabeleceram a base do luteranismo e o início da Reforma: An den christlichen Adel deutscher Nation (A nobreza cristã da nação alemã), De captivitate Babylonica ecclesiae praeludium (Da servidão babilônica da Igreja), escrito em latim e dirigido a clérigos e intelectuais, e Von der Freiheit eines Christenmenschen (Da liberdade de um cristão).

Neles, Lutero afirma a salvação do homem apenas pela fé, nega todo tipo de autoridade por parte de Roma e exorta à livre interpretação das Sagradas Escrituras, única autoridade existente. A comunidade cristã constituiria a “igreja invisível” unida pela fé e, no aspecto temporal, estaria submetida ao poder dos príncipes, instituído por Deus. Essa tese foi confirmada pela atitude de Lutero ao apoiar os príncipes contra uma revolta de camponeses reformadores. Em 1521, recusou-se novamente a se retratar perante a Dieta de Worms e, no mesmo ano, foi excomungado.

Escondido no castelo de Wartburg, perto de Eisenach, com a cumplicidade de Frederico III, Lutero iniciou a tradução da Bíblia para o alemão. Em 1525, casou-se com a ex-freira Katherina von Bora, e assim rejeitou a imposição do celibato aos clérigos. Na segunda Dieta de Speyer, em 1529, aprovou-se um decreto que aumentava a pressão dos estados católicos contra Lutero e seus seguidores. O protesto contra essa situação criou a denominação protestantes.

Disseminado o protestantismo, começaram a se fazer notar divergências entre seus seguidores. Assim ocorreu com o suíço Huldrych Zwingli, a quem Lutero se opôs na conferência realizada em 1529, principalmente quanto ao tema dos sacramentos. Dos escritos de Lutero, sobretudo dos Kleiner Katechismus (Pequeno catecismo) e Grosser Katechismus (Grande catecismo), publicados em 1529, Melanchthon extraiu o material para a Augsburger Konfession (1530; Confissão de Augsburgo), a primeira declaração de fé do luteranismo. Entre 1531 e 1545, Lutero deixou a direção do movimento reformador nas mãos de Melanchthon e retirou-se para sua cátedra de Wittenberg. Em 1534, concluiu a tradução completa da Bíblia, que, juntamente com suas coleções de hinos e salmos, desempenhou papel fundamental na fixação da língua alemã. Apesar de gravemente doente, escreveu diversos textos polêmicos, entre os quais Von den Conciliis und Kirchen (1539; Dos concílios e das igrejas).

Lutero morreu em Eisleben, em 18 de fevereiro de 1546. Depois de sua morte, agravaram-se as dissensões não só entre as igrejas protestantes, como no próprio luteranismo. A figura de Lutero permaneceu, porém, como a do grande inspirador da Reforma.

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30
jul

Jan Hus

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O movimento político e religioso dos hussitas, gerado em torno das idéias do tcheco Jan Hus, foi o principal antecedente, na Europa central, da Reforma protestante.

Jan Hus, ou Huss, nasceu em Husinec, na Boêmia, em 1372 ou 1373. De origem camponesa e humilde, só aos 13 anos entrou para a escola elementar. Cinco anos mais tarde entrou para a Universidade de Praga para cursar teologia e humanidades, e pagava os estudos com o que recebia como cantor de coro. Em 1394 começou a ensinar na universidade e depois aderiu às idéias do reformista inglês John Wycliffe, que haviam sido entusiasticamente acolhidas pelos intelectuais nacionalistas boêmios. Sua vida acomodada e prazerosa mudou repentinamente, quando se tornou um reformista severo e decidido, conversão a que se referiu afirmando: “Quando o Senhor me deu o conhecimento das Escrituras, afastei da minha tresloucada mente a estúpida vida de diversões.”

Hus ordenou-se, em parte para garantir seu sustento, segundo confessou mais tarde, e em 1402 foi nomeado reitor e pregador da capela de Belém em Praga, onde prosseguiu com as atividades acadêmicas. Seus sermões, que alcançaram grande popularidade, tanto atacavam os abusos eclesiásticos como  defendiam o nacionalismo boêmio. Reitor da Universidade de Praga a partir de 1409, Hus recusou-se a aceitar a condenação papal da doutrina de Wycliffe e a defender-se em Roma das acusações que lhe eram impostas, o que o obrigou a fugir para o sul da Boêmia. Ali escreveu a obra De ecclesia (1412; Sobre a igreja), em que radicaliza as críticas ao antipapa João XXIII.

Dois anos depois apresentou-se ao Concílio de Constança, munido de um salvo-conduto do imperador Sigismundo, e defendeu firmemente suas doutrinas. Apesar da suposta proteção do imperador, Hus negou-se terminantemente a retratar-se, foi encarcerado, declarado herege e condenado à fogueira. A sentença cumpriu-se em Constança, em 6 de julho de 1415.

Hussitas. Os seguidores de Jan Hus, os hussitas, tentaram impor ao país as doutrinas do reformador e combinaram-nas com um sentimento de intenso nacionalismo tcheco e antialemão. Além da morte de Hus, que causou ressentimentos e revoltas na Boêmia, mais dois fatores influíram na revolução que convulsionou o país: a proibição de que o povo tomasse o vinho na comunhão e o martírio de Jerônimo de Praga, discípulo de Hus, na fogueira, em 1416.

A revolta estendeu-se à Alemanha e à Hungria, que foram invadidas pelos hussitas, até que um acordo, o Compactata, de 1436, pacificou os ânimos. Os hussitas estavam, porém, divididos em dois partidos: o utraquista (o nome deriva de seu emblema, o cálice, símbolo da comunhão sub utraque specie, “sob as duas espécies”), dos aristocratas; e o taborita (de Tabor, nome dado a seu principal reduto), de radicais revolucionários. Estes foram derrotados pelo rei Jorge de Podebrad, que fez do utraquismo a religião oficial da Boêmia. No século XVI os hussitas aliaram-se aos luteranos, e sua rebelião de 1618, contra os Habsburgos, deu início à guerra dos trinta anos, que fez a Boêmia, derrotada, voltar ao catolicismo, enquanto os tchecos permaneciam anticlericais e nacionalistas.

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jul

John Wesley

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O pregador, teólogo e sacerdote inglês John Wesley, que pretendia reconduzir a Igreja da Inglaterra ao calvinismo original, provocou involuntariamente uma cisão que acabou por tornar-se a principal denominação episcopal americana.

John Wesley nasceu em Epworth, Lincolnshire, em 17 de junho de 1703. Influenciado por tradições de família, cedo manifestou vocação religiosa. Estudou na cidade natal e em Oxford, onde ordenou-se em 1728. Em 1729 ingressou no grupo de estudos religiosos que, fundado por seu irmão Charles, ficou conhecido em Oxford como Associação dos Metodistas, devido à ênfase dada ao estudo metódico. Logo John Wesley assumiu a liderança do grupo, cujas atividades religiosas incluíam, além de práticas devotas, assídua ação social. Em 1735 os dois irmãos deixaram o grupo, que se desintegrou.

Encarregado da evangelização na colônia americana da Geórgia, John Wesley foi para os Estados Unidos mas, com o fracasso da missão, retornou dois anos depois. Aos 35 anos de idade, influenciado pelos irmãos morávios e pela leitura de um texto de Lutero sobre a epístola de são Paulo aos romanos, convenceu-se de que a fé é o único requisito da vida religiosa. Acompanhado do irmão Charles e de George Whitefield, Wesley pronunciou cerca de cinqüenta mil sermões por toda a Inglaterra e desencadeou uma efervescência religiosa que logo lhe trouxe muitos discípulos.

Muitos dos seguidores de Wesley imigraram para as colônias americanas e lá fizeram novos adeptos. A ruptura com a Igreja da Inglaterra deu-se justamente quando o bispo de Londres negou-se a ordenar fiéis para atuarem nos Estados Unidos e Wesley chamou a si essa missão. A partir de 1784, as sociedades metodistas atuaram independentemente. John Wesley morreu em Londres, em 2 de março de 1791. Em sua obra literária destaca-se o Diário, espécie de autobiografia.

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30
jul

João Calvino

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Entre os teólogos do início do protestantismo, João Calvino destacou-se pela capacidade de organização política e eclesiástica. Sua influência foi decisiva para a difusão do movimento na Europa, América do Norte e outras regiões do mundo.

Calvino, cujo nome francês era Jean Cauvin ou Calvin, nasceu em Noyon, na Picardia, norte da França, em 10 de julho de 1509. Filho do secretário episcopal daquela cidade, cursou humanidades em prestigiosos colégios de Paris, após o que estudou direito nas universidades de Orléans e de Bruges, onde teve por mestres eminentes pensadores da época. Em 1532, Calvino demonstrou seus conhecimentos de latim e história organizando a publicação de um tratado de Sêneca, De clementia (Sobre a clemência).

Pouco depois, Calvino converteu-se ao protestantismo, mas, quando seu grupo de teólogos reformados foi declarado ilegal na França, ele deixou Paris. Em princípios de 1535, instalou-se na Basiléia, Suíça, onde no ano seguinte publicou sua obra fundamental, Christianae religionis institutio (Instituição da religião cristã). Tratava-se de um brilhante resumo das doutrinas protestantes, em que, entre outros temas, afirmava a predestinação dos eleitos, rechaçava a versão católica dos sacramentos e esboçava um esquema de organização para a nova forma do cristianismo. Com essa obra, traduzida para o francês em 1541, Calvino se tornou um dos principais teólogos protestantes.

Ainda em 1536, na volta de uma curta viagem à Itália — onde demonstrou seu talento político, atraindo para o protestantismo homens poderosos — recebeu um convite para permanecer em Genebra, que acabara de aderir ao protestantismo, em decorrência de uma rebelião dos cidadãos contra o bispo, mas carecia de doutrina e de organização. Calvino ficou naquela cidade por dois anos, mas elaborou um código litúrgico e moral tão severo que acabou sendo expulso pelo conselho genebrino.

De 1538 a 1541 residiu em Estrasburgo, onde reformou a liturgia e as instituições paroquiais, ao mesmo tempo que dirigia pessoalmente uma congregação. Nesses anos participou de vários conclaves entre católicos e protestantes e conheceu importantes teólogos luteranos como Melanchthon e Martinho Lutero.

Entrementes, Genebra debatia-se entre o caos interno e a ameaça católica externa, e acabou chamando Calvino de volta. Aplicando suas austeras idéias religiosas, o reformador organizou a igreja de Genebra através das Ordenações eclesiásticas, que seriam adotadas em todas as igrejas do protestantismo reformado. Nos anos seguintes, após eliminar seus opositores — sem hesitar em executá-los, quando considerava necessário –, Calvino converteu-se em governante absoluto de Genebra, tanto sob o aspecto religioso como sob o político e o econômico.

A partir de 1550 dedicou-se principalmente a apoiar outros grupos protestantes afins e a tornar mais coerente sua doutrina. Em 1559 foi publicada a versão latina definitiva das Instituições — um ano depois sairia a edição francesa, em que estabelecia suas divergências teológicas com o luteranismo. Sob sua influência e a da academia que fundou em Genebra, esta cidade tornou-se o principal centro do protestantismo europeu. Calvino morreu em Genebra a 27 de maio de 1564. Mesmo após sua morte, as igrejas reformadas mantiveram-se em contínua expansão.

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