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Igrejas em Obra de Restauração

Jan Hus

Posted by Daniel Alves Pena julho - 30 - 2009

Divulgação

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O movimento político e religioso dos hussitas, gerado em torno das idéias do tcheco Jan Hus, foi o principal antecedente, na Europa central, da Reforma protestante.

Jan Hus, ou Huss, nasceu em Husinec, na Boêmia, em 1372 ou 1373. De origem camponesa e humilde, só aos 13 anos entrou para a escola elementar. Cinco anos mais tarde entrou para a Universidade de Praga para cursar teologia e humanidades, e pagava os estudos com o que recebia como cantor de coro. Em 1394 começou a ensinar na universidade e depois aderiu às idéias do reformista inglês John Wycliffe, que haviam sido entusiasticamente acolhidas pelos intelectuais nacionalistas boêmios. Sua vida acomodada e prazerosa mudou repentinamente, quando se tornou um reformista severo e decidido, conversão a que se referiu afirmando: “Quando o Senhor me deu o conhecimento das Escrituras, afastei da minha tresloucada mente a estúpida vida de diversões.”

Hus ordenou-se, em parte para garantir seu sustento, segundo confessou mais tarde, e em 1402 foi nomeado reitor e pregador da capela de Belém em Praga, onde prosseguiu com as atividades acadêmicas. Seus sermões, que alcançaram grande popularidade, tanto atacavam os abusos eclesiásticos como  defendiam o nacionalismo boêmio. Reitor da Universidade de Praga a partir de 1409, Hus recusou-se a aceitar a condenação papal da doutrina de Wycliffe e a defender-se em Roma das acusações que lhe eram impostas, o que o obrigou a fugir para o sul da Boêmia. Ali escreveu a obra De ecclesia (1412; Sobre a igreja), em que radicaliza as críticas ao antipapa João XXIII.

Dois anos depois apresentou-se ao Concílio de Constança, munido de um salvo-conduto do imperador Sigismundo, e defendeu firmemente suas doutrinas. Apesar da suposta proteção do imperador, Hus negou-se terminantemente a retratar-se, foi encarcerado, declarado herege e condenado à fogueira. A sentença cumpriu-se em Constança, em 6 de julho de 1415.

Hussitas. Os seguidores de Jan Hus, os hussitas, tentaram impor ao país as doutrinas do reformador e combinaram-nas com um sentimento de intenso nacionalismo tcheco e antialemão. Além da morte de Hus, que causou ressentimentos e revoltas na Boêmia, mais dois fatores influíram na revolução que convulsionou o país: a proibição de que o povo tomasse o vinho na comunhão e o martírio de Jerônimo de Praga, discípulo de Hus, na fogueira, em 1416.

A revolta estendeu-se à Alemanha e à Hungria, que foram invadidas pelos hussitas, até que um acordo, o Compactata, de 1436, pacificou os ânimos. Os hussitas estavam, porém, divididos em dois partidos: o utraquista (o nome deriva de seu emblema, o cálice, símbolo da comunhão sub utraque specie, “sob as duas espécies”), dos aristocratas; e o taborita (de Tabor, nome dado a seu principal reduto), de radicais revolucionários. Estes foram derrotados pelo rei Jorge de Podebrad, que fez do utraquismo a religião oficial da Boêmia. No século XVI os hussitas aliaram-se aos luteranos, e sua rebelião de 1618, contra os Habsburgos, deu início à guerra dos trinta anos, que fez a Boêmia, derrotada, voltar ao catolicismo, enquanto os tchecos permaneciam anticlericais e nacionalistas.

©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.

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