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Igrejas em Obra de Restauração

O Silêncio de Deus

Posted by Daniel Alves Pena setembro - 14 - 2009
Divulgação

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Quanto mais se diz que conhece a Deus, menos sábio se é. Este é o mal da maioria dos religiosos. Esta é a realidade de quase todo evangélico. Estuda-se teologia, faz-se Ciência das Religiões, conclui-se o mestrado, gradua-se em Ph.D. ou D.D., mas, cada vez menos se sabe de Deus. Isto se dá pela presunção de se achar que esta viagem de graduações, estudos sobre Deus e experiências de igreja sejam credenciais para se conhecer Deus.

Daí a facilidade de alguém, sem estas pretensões – na maioria não evangélica ou até cética -, terem as percepções que os religiosos sabedores de Deus não as têm.

Sim! É mais fácil ouvir uma verdade de Deus por lábios não religiosos do que por bocas de muitos “profetas”. Por esta razão, eu vivo atento as vozes que soam dos quatro ventos; e, não somente as que soam dos templos. Assim faço estribado nas palavras de Jesus quando disse que “… se estes se calarem, as próprias pedras clamarão” (Lc 19.40).

Foi nesta percepção de vozes perceptivas a imperceptível presença de Deus que encontrei nas páginas da Veja de 9 de Setembro de 2009 as palavras de Manoel Carlos citando as frases de um livro, cujo título é o mesmo deste artigo: O Silêncio de Deus. Eis o trecho das palavras de Manoel Carlos e das citações do livro:

“Nós que tanto proclamamos a existência ou a inexistência de Deus e do divino, sentimos de repente, a folhear essas páginas (do referido livro), que Deus fala ao não falar. Que ele se manifesta e se faz visível ao ocultar-se. Que é na escuridão que Ele brilha e ilumina. Recolho nele (o referido livro), para meus possíveis leitores, algumas reflexões enriquecedoras sobre o silêncio de Deus, todas elas de Julien Green (1900-1998)”.

• “É no silêncio que Deus habita. Lá é a sua morada. Não no vento, nem no tremor de terra, nem no ruído de palavras que fazemos continuamente, mas no íntimo de nós mesmos, lá onde já não alcançam as vozes do mundo”.
• “Há pessoas que deixam de repente de acreditar em Deus. Quanto a mim, vou-me apercebendo de que deixo de acreditar na humanidade”.
•  “Que sabemos nós de Deus, do que Ele quer, do que Ele pensa? As civilizações desaparecem umas após outras e Ele guarda silêncio”.
•  “O maior explorador desta terra não faz tão longas viagens quanto aquele que desce ao fundo do próprio coração e se debruça sobre os abismos onde a face de Deus se contempla entre estrelas”.
•  “Nós vivemos como ateus. Deus morre de frio, bate a todas as portas, mas ninguém lhe abre jamais. O lugar está ocupado. Por quem? Por nós mesmos”.
•  “Um jovem internado num hospital diz a um religioso: ‘Eu não quero conversar comigo mesmo e imaginar que é Deus que me fala. Deus não fala. Há o silêncio de Deus! ‘”.

A maior deficiência da prática cristã continua sendo a de aprender a ouvir Deus no silêncio. Somos dependentes constantes do agir e manifestar de Deus. Se Ele não falar, é porque não nos ama. Se Ele não agir, é porque não nos quer bem. Se Ele não curar, é porque não é bom. Se Ele não nos livrar, é porque não é fiel. Se Ele não nos fizer prosperar, é porque não é poderoso.

Isto sem falar nos que se afastam da igreja pelo fato de não mais ouvirem a voz de Deus. Pobres crentes! Deveriam aprender com estas pedras que clamam – Manoel Carlos e Julien Green – que Deus fala justamente no silêncio.

Que a intimidade com a Palavra de Deus e com o Deus da Palavra nos ensine a ouvi-lo no silêncio. Como sempre me diz minha mamãe querida, meus avós só se comunicavam com ela pelo olhar. Aprenda a ouvir, a ler, a discernir e a entender Deus apenas no olhar terno e cuidadoso. Pois Ele pode muitas vezes não nos falar, mas sempre sobre nós estará o seu olhar.

Aprenda ouvir Deus no silêncio!

Por: Pastor Adriano Moreira

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