APOIORT

Igrejas em Obra de Restauração

Uma Primeira Palavra Acerca da Defesa da Contemporaneidade do Uso do Véu

Posted by Daniel Alves Pena outubro - 20 - 2009

Rev. Fabiano

Rev. Fabiano

Quando ingressei como membro da Obra em 1980, sempre ouvia contar as histórias e feitos dos nossos primeiros pais, dos que foram pioneiros na Obra da Restauração, dentre os quais destaco o Pr. Magno Guanaes Simões e o Pr. Elmir Guimarães Maia. Não tive o privilégio de conhecer o primeiro pessoalmente, mas apenas o segundo, no ano de 1984. Aquele encontro foi algo surpreendente e decisivo para mim. Naquela época, já estava acostumado a ouvir muitas críticas quanto à falta de preparação teológica dos pastores da Obra, e muitas delas infelizmente procedentes, olhando de uma perspectiva meramente humana, e isto produzia certo recalque em mim, até mesmo um sentimento de vergonha. Porém, naquela tarde memorável, o encontro com o Pr. Elmir Guimarães Maia lançou certa luz e esperança na estrada que tinha de trilhar em direção a um futuro desconhecido que me estava reservado.

Naquela tarde providencial, Pr. Guimarães Maia estava no escritório da OPIMOBRART em Acari, Rio de Janeiro, e me recebeu com um sorriso característico e cativante. Já tinham me contado que nossos pioneiros tiveram a oportunidade de estudar teologia nos melhores seminários batistas, principalmente numa época em que esses seminários representavam o que de melhor se tinha em termos de educação teológica. Todas as vezes em que nos acusavam de praticar doutrinas ultrapassadas por causa de falta de instrução em hermenêutica ou por não sabermos fazer a exegese dos textos visto que prescindíamos do conhecimento das línguas originais da Bíblia, eu ficava sem saber o que dizer.

Todavia, o encontro com o Pr. Guimarães Maia foi muito importante para mim, pois estava diante de um pastor da Obra, um fundador, de uma educação teológica até então jamais vista por mim na Obra. Atrás dele, estava uma estante repleta de livros de grande envergadura dentro do cenário evangélico contemporâneo e de outros séculos. Com grande destaque, vi atrás dele grandes comentários bíblicos, como o de John Peter Lange, traduzido do alemão para o inglês, o de Adam Clarke na versão espanhola, e muitos outros que me deixaram abismado. Pensei comigo que “a Obra não poderia ter surgido de ignorância bíblico-teológica. Talvez isto fosse apenas produto de preconceito e ressentimento!”

Em seguida, fui à questão mais pitoresca e intrigante: “E o uso do véu, Pr. Guimarães?” Então, ele pegou a Bíblia e o volume do comentário de Lange sobre 1 e 2Coríntios em inglês e fez uma breve exposição verso por verso, mostrando como até mesmo um comentário bíblico genuinamente exegético não escrito por um pastor da Obra pode ajudar a analisar o texto. Pena que eu pude guardar apenas a linha de argumentação para futuras pesquisas e aprofundamento numa das questões mais polêmicas e controvertidas no meio evangélico. Entretanto, as dúvidas principais sobre a atualidade do uso do véu pelos membros do sexo feminino das igrejas contemporâneas foram esclarecidas naquela palestra.

Por fim, o Pr. Guimarães Maia fechou nossa palestra brindando-me com uma exposição de Tiago 1.12-15 que jamais me esqueci. Hermenêutica, exegese e homilética numa impregnação mútua, visto que, além de intérprete, ele é um exímio pregador da Palavra de Deus. Assim, depois de situar o texto em seu contexto e co-texto, ele fez uma análise minuciosa da perícope (parágrafo), segmentando as orações e realçando detalhes que me impressionaram grandemente. Além disso, fez ilustrações extraídas do Antigo Testamento, como o pecado de Davi, que clarificavam cada etapa do processo de tentação descrito sinteticamente por Tiago. Eu não tinha prestado atenção antes a tudo isso, ou melhor, não possuía as lentes de análise que estavam disponíveis àquele exegeta perito que estava com a Bíblia aberta diante de mim, sempre com foco no texto grego, que ele conhecia muito bem, como demonstrou na prática. Desse encontro, eu concluí: “Não faz sentido acusar nossos pioneiros de ignorância teológica, histórica, hermenêutica ou exegética, diante do que estou vendo. Pr. Guimarães Maia é uma sumidade!” Ele se despediu de mim com uma oração num ambiente que estava impregnado da presença de Deus, a quem ele pediu que abençoasse meu futuro. Confesso que saí daquele escritório com um forte senso de que nada sabia diante de tanta erudição do Pr. Maia e vendo o grande desafio que tinha pela frente. Ainda bem que ele me recomendou à maravilhosa e miraculosa graça de Deus, que é poderosa para fazer tudo infinitamente mais do que pedimos ou pensamos!

Ao me despedir dele, ele me deu muitos bons conselhos. Incentivou-me a continuar meus estudos e, sempre que possível, fazer o que ele fez depois de obter sua formação teológica formal. Orientou-me a adquirir bons comentários bíblicos de caráter erudito e conservador e lê-los, o que equivale a subir nos ombros de gigantes e diminuir muito trabalho na tarefa de interpretação bíblica. Também, orientou-me a obter livros de educação teológica que ensinam ferramentas de análise do texto bíblico (hermenêutica e exegese) e boas obras de teologia bíblica e sistemática, história bíblica e da igreja, línguas originais, etc. Esse foi um direcionamento que revolucionou minha maneira de ver o que de literatura já estava disponível no mercado evangélico, principalmente em inglês ainda, língua que eu já dominava, e mergulhei fundo. Minha biblioteca pessoal cresceu de forma assustadora e me ajudou para minha jornada ministerial que começou em 18/04/1987! Dou graças a Deus por aquele encontro com o Pr. Dr. Elmir Guimarães Maia.

Uns vinte anos mais tarde, por volta de 2004, eu reencontrei o Pr. Elmir Guimarães Maia na casa do Pr. Dr. Valter Miranda de Oliveira. Nessa ocasião tive a oportunidade de conversar com ele e mostrar o meu avanço nos estudos bíblicos, principalmente no campo das línguas originais da Bíblia. Mostrei a obra gigantesca do Dr. Bruce K. Waltke, em inglês, que estava prestes a ser lançada em português pela Editora Cristã de São Paulo, Introdução à Sintaxe do Hebraico Bíblico, que saiu em 2006 com suas 784 páginas. Tive a honra de ser o organizador, o tradutor principal e um dos revisores desta magnífica obra que por muito tempo será padrão para os estudos de sintaxe do hebraico bíblico em nível intermediário e avançado em língua portuguesa. Pude também informar-lhe que havia estudado Hebraico Moderno na Universidade Federal do Rio de Janeiro e que estava fazendo Mestrado em Antigo Testamento no Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper, do Instituto Presbiteriano Mackenzie de São Paulo. Após analisar-me detidamente em nossa palestra, surpreendeu-me a humildade do Pr. Guimarães Maia, confessando-me que, na disciplina de hebraico bíblico, ele poderia ser meu aluno. Jamais pensei em ouvir tal coisa de um homem de Deus da envergadura do Dr. Guimarães Maia, mas ele disse isso por conta do estudo específico, dedicado e contínuo das línguas originais da Bíblia que venho fazendo ao longo desses já 28 anos de peregrinação cristã.

Foram em meus estudos bíblicos posteriores que vim a aprender com clareza que a hermenêutica é disciplina que prescreve os princípios de interpretação dos textos da Bíblia reunindo-os, por exemplo, com base em seus respectivos gêneros literários. Portanto, ela instrui a interpretação e narrativas, poesia, Torah (lei), meshalim (literatura sapiencial – ou de sabedoria, como Jó, Provérbios e Eclesiastes), profecia, evangelhos, atos, epístolas e Apocalipse, sendo bem genérico. A exegese se vale dos princípios postulados pela hermenêutica para fazer a interpretação dos textos. A relação entre a hermenêutica e a exegese, escrevendo de uma perspectiva reformada, é a mesma que existe entre a teoria e a prática.

No estudo da hermenêutica aprendemos como interpretar. Ao fazermos exegese colocamos em prática os princípios aprendidos em hermenêutica e saímos em busca do sentido do texto que pretendemos entender. Por exemplo, se o gênero do texto bíblico é narrativo, então a hermenêutica nos ensina que há uma série de questões que devem ser levadas em conta para que o sentido do texto seja alcançado corretamente. Temos de considerar e analisar a estrutura (se há uso de quiasmos, muito comum desde Gênesis), personagens, narrador, narratário, diegese e discurso narrativo, sintaxe da diegese, tempo, voz e focalização, como os constituintes mais expressivos do texto narrativo.

Em poesia, estudamos os percursos do passar, repassar e externar do mundo do eu lírico do poeta. A poesia surge independente dos elementos objetivos do mundo real que o cerca, porém, reflete em sua forma final uma produção resultante dos efeitos deste mundo sobre sua alma, sobre sua interioridade.

“Caso um poema lírico seja escrito valendo-se de elementos narrativos e objetivos do mundo exterior do poeta, isto serve apenas como um pretexto para que ele expresse um significado apenas simbólico-imaginário do reflexo desse mundo sobre seu estado de alma”[1].

Desta forma, está correta a afirmação de Lotz:

“O verso é o uso da linguagem mais idiossincrático e está sujeito à manipulação individual mais extrema”. [2]

Por conseguinte, ao estudarmos poesia bíblica, devemos estar atentos à forma, principalmente ao recurso muito utilizado do paralelismo, que se torna uma chave para entendermos à forma poética dos escritos bíblicos. O eu lírico extravasa os impactos do mundo exterior sobre sua interioridade. Muito mais frequente que na prosa, ele manipula a linguagem para que ela seja uma fiel expressão do que se passa dentro dele. Até ele mesmo se surpreende com sua produção literária e artística que as mais das vezes o deixa meio embevecido, preso ao fato da criação das formas inusitadas que a poesia exige. Destaque-se, acima de tudo, o forte impacto da inspiração divina sobre a alma desse poeta que singulariza esse modo grandemente idiossincrático do uso da linguagem. Ele dialoga com Deus, consigo mesmo, com seus semelhantes e com sua congregação, de modo que a produção final está repleta de seus próprios sentimentos. Essa forma idiossincrática de produção textual é sobremaneira criativa e não poderia ser diferente. Ela não pode prescindir do uso exuberante de formas de expressão inusitadas, de figuras de palavras e de pensamento em grau altamente elevado. É certo que tanto a poesia quanto os textos em prosa estão repletos dessa forma de verbalização idiossincrática, mas a poesia a usa de modo preferencial por conta de sua própria natureza. O eu lírico se identifica com este tipo de uso da linguagem. Portanto, dispensa dizer que a forma poética merece a devida atenção por parte do intérprete.

A propósito, o presente ensaio sobre o uso do véu é uma análise de um texto pertencente ao gênero epistolar. Trata-se da análise de um texto predominantemente escrito em prosa. Ele é uma reflexão e aprofundamento sobre a palestra que tive com o Pr. Elmir Guimarães Maia, aludida acima, porém, teve mesmo como elemento impulsionador e catalítico um desafio do Pr. Silas Malafaia que recebi num debate na Rádio 93 FM. Em 1999, eu estava participando de um debate com ele e, sem que ele me conhecesse, surgiu por parte do moderador a proposta inusitada de termos um debate sobre o uso do véu na igreja hoje. Eu iria defender a tese da contemporaneidade do uso do véu pelos membros do sexo feminino da igreja. Não sei que posição ele tomaria, uma vez que o debate apenas abordaria a questão “no campo das idéias” e preso ao que o apóstolo Paulo ensinou a esse respeito. O ônus maior pesava sobre mim, ao que parecia, de ter de apresentar argumentos convincentes em favor da contemporaneidade do uso do véu pelas mulheres nas igrejas evangélicas. Porém, infelizmente, no dia do debate o Pr. Silas Malafaia telefonou para a emissora e justificando que não poderia estar presente naquele debate por motivo de força maior. A expectativa era enorme da parte dos ouvintes, mas lamentavelmente esse debate não se concretizou. Foi adiado sine die e até hoje não se realizou.

Todavia, o trabalho de pesquisa que escrevi sobre 1Co 11.1-16 na época foi publicado no ano seguinte, em 2000, e agora eu disponibilizo a todos os que acessam o site da APOIORT para que possam lê-lo e considerá-lo. Agradeço de coração ao Pr. Eliélberth Falcão, presidente da APOIORT, meu grande amigo e cooperador no Reino de Deus, pela oportunidade e incentivo – como também a muitíssima paciência -, de disponibilizar esses ensaios com toda a liberdade de expressão de meu pensamento teológico, que sempre procuro construir com base na mais sólida exegese, usando todos os valiosos instrumentos que me estão disponíveis.

O texto original que escrevi, na presente versão revisada, aparece com vários acréscimos de elementos que julguei essenciais e supressões de outros que julguei não tão importantes. Além disso, depois de ler outros autores que não constaram de minha pesquisa original, e que considerei darem uma contribuição positiva para a elucidação de certos aspectos do texto, ainda que deles discorde em alguns pontos, pude enriquecer a abordagem deste tema tão polêmico e crucial. O leitor só terá a ganhar se lê-lo para considerar e ponderar com reflexão e espírito sereno. Tento ler o apóstolo a partir de seu próprio contexto histórico e, em seguida, empreendo fazer uma leitura do texto para nossos dias. Com o texto grego aberto, proponho-me responder às perguntas: 1) O que o apóstolo quis dizer para os seus leitores originais e o que o motivou a escrever o presente texto? 2) Será que as exigências feitas pelo apóstolo Paulo não estavam condicionadas culturalmente? 3) Caso a pergunta 2 tenha resposta positiva, o texto apenas diz respeito a regulamentações válidas tão somente para aquele contexto específico, não sendo uma questão relevante em nossos dias, mas, se for negativa, então cumpre-nos saber o que fazer com as exigências do texto na igreja evangélica contemporânea.

A decisão, como sempre, recai sobre cada um de nós individualmente diante deste e de outros textos da Escritura. A complicação para nós reside no fato de termos de justificar perante nossa consciência e perante Deus naquele grande dia a nossa posição e o que nos levou a adotá-la. Seremos confrontados, para todos os efeitos práticos, não com o que disseram que o texto diz, mas com o que de fato Deus quis dizer através dele. Isto nós ouviremos da boca de Deus. Poderemos estar certos ou errados. Portanto, a busca da descoberta da intenção do autor, que é por sua vez o reflexo unívoco e inequívoco da intenção do Espírito Santo que o inspirou, não pode ser uma questão irrelevante para nós no que diz respeito a qualquer texto da Escritura. Como este é um dos textos mais polêmicos na história da interpretação cristã das Escrituras, meu convite ao leitor é para que reconsideremos mais uma vez o que o apóstolo Paulo diz em 1Co 11.1-16, visto que este texto também carrega consigo fortes implicações sobre outras questões polêmicas, como, por exemplo, a ordenação feminina. Nossas práticas contemporâneas não justificam nossa interpretação das Escrituras, mas, ao contrário, as Escrituras é que devem justificar nossas práticas enquanto igreja. Será que o que praticamos hoje tem pleno respaldo das Escrituras ou estamos impondo nossas práticas às Escrituras, a despeito do que ela venha a nos ensinar? Urge-nos responder a todas estas questões.

Não obstante, precisamos deixar clara nossa posição de que o uso do véu pelas mulheres da igreja jamais foi divisado por nós dentro de uma perspectiva soteriológica estrita, como algo imprescindível à salvação, haja vista nossa posição explicitamente reformada no tocante ao posicionamento soteriológico. De fato, esta questão tem mais a ver com um posicionamento pós-soteriológico, como algo que deve ser decidido pelos salvos, coletiva ou individualmente. Se minha análise estiver correta, então a não observação do princípio bíblico torna-se desobediência e afeta a comunidade cristã local que decide pela não observação do ensino bíblico, ou membros cristãos individuais, apenas em termos de consciência, posicionamento diante da autoridade da Escritura e, em última análise, no que se refere à complexa questão do galardão dos eleitos. Se minha análise e a de outros que comigo concordam estiver errada, então, pelo menos tivemos a oportunidade de apresentar uma outra perspectiva de um texto do NT que nada tem a ver com nossa vivência cristã contemporânea. Pelo menos, nossa exegese nos dará a desculpa diante de Deus de que erramos por excesso em face ao nosso temor de não ter dado apreço a uma pequena porção do cânon do NT que, na contramão da história, quase toda igreja havia desprezado. Que o Grande Juiz nos tenha por escusados por pecarmos por excesso de temor à autoridade de Sua Palavra.

Rev. Fabiano Ferreira

Filadélfia, Pensilvânia, EUA

Inverno de 2009.


[1] Silva, Vitor E. A., Teoria da Literatura, Coimbra, Portugal: Livraria Almedina, p. 582-596.

[2] O’Connor, M. Hebrew Verse Structure, Winona Lake, Indiana: Eisenbrauns, 1997. p. 13.

Uma Resposta No momento.

  1. gregaptai disse:

    Queridos em Cristo, elaborei uma matéria sobre o uso do véu, embora seja uma matéria, resolví postá-la aquí, como comentário sobre o uso do véu.

    Peço a todos que tenham um pouco de paciência comigo.

    Eis a matéria:

    O QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE O FUNDAMENTO DO USO DO VÉU

    INTRODUÇÃO
    As igrejas cristãs de todas as épocas e em todos os lugares são concordantes entre si, afirmando ser o nosso Senhor Jesus Cristo o “cabeça”(autoridade) da igreja de Deus (Rm. 12.5; 1º Cor. 12.13-27; Cl. 1.18). Esse mesmo ensino pode ser observado nas cartas de Paulo às igrejas. Todas as denominações Cristãs professam essa fé, entretanto, pergunto: Onde, nas Escrituras Cristãs esse mesmo ensino (doutrina) é desenvolvido dando esclarecimentos tão profundos em seu significado?

    A resposta óbvia é… “1° Coríntios 11.1-16″.

    Paulo, o apóstolo dos gentios, fez saber aos Coríntios, por intermédio de Timóteo, sobre os seus caminhos em Cristo e o “ensino” (único, singular) em cada igreja (1º Cor. 4.17), que Cristo Jesus era (e sempre será) a única “cabeça”(autoridade) descoberta na igreja.
    Naquela época, não havia Igrejas cristãs com doutrinas divergentes nos moldes de hoje.

    O assunto do uso do véu pelas irmãs deve, não só ser aplicado, pois, também envolve o interesse Divino em que seus filhos “saibam” ( I Cor. 11.3 ) da importância da figura ou significado existente em 1º Cor.11.1-16, e o que isso representa para Deus, para os anjos, à igreja e para a doutrina apostólica, pelo fato de escrever tal ensino ocupando mais da metade do capítulo onze, tratando somente do assunto, o ato do homem “descobrir” a cabeça, enquanto a mulher “cobre” a sua, o que isso representa ? Afinal, na concepção Divina, o que estamos dizendo ou proclamando quando obedecemos ou desobedecemos tal mandamento? – É isso mesmo o que veremos logo a seguir.

    Antes de examinarmos 1º Cor. 11.1-16, devemos tomar cuidado, pois que tal epístola também é estendível aos Cristãos de todos os lugares, 1º Cor. 1: 1-2, (ARC-ARA-NTLH). Caso o contexto acima apontado esteja obscuro, que venha a dificultar o entendimento para algum irmão, irei expor aqui, uma tradução de fácil compreensão, isto é, a Nova Tradução na Linguagem de Hoje :

    “ Eu, Paulo, que fui chamado pela vontade de Deus para ser apóstolo de Cristo Jesus, escrevo, junto com o irmão Sóstenes, esta carta à igreja de Deus que está na cidade de Corinto. Escrevo a todos os que, pela sua união com Cristo Jesus, foram chamados para pertencerem ao povo de Deus. Esta carta é também para aqueles que em ( gr. en = dentro de) todos os lugares adoram o nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso” (1º Cor.1:1-2, Nova Tradução na Linguagem de Hoje – NTLH – SBB ).(Ênfase minha).

    Também, na Bíblia Viva:

    “Para: Os cristãos de Corinto, convidados por Deus para serem seu povo, feitos dignos dele por obra de Cristo Jesus. E para: Todos os cristãos em toda parte – todos quantos invocam o nome de Jesus Cristo, Senhor nosso e deles também.”(1º Cor. 1.2).- Ênfase minha.

    1º CORÍNTIOS 11.1-16

    11.1 – “Sede meus imitadores, como também eu, de Cristo.
    11.2 – E louvo-vos, irmãos, porque em tudo vos lembrais de mim e retendes os preceitos como vo-los entreguei.”

    Vs.1-2. – Nos versos 1-2, Paulo apresenta a necessidade de imitarmos o apóstolo em seu zelo de seguir a Cristo e seu ensino, devemos imitá-lo, fazer como ele. Exortando ainda, deu-lhes o dever de “reter” (segurar firme, não abrir mão)dos“preceitos ou tradições”(gr. paradosis = tradição ), que é o mesmo que “receber e transmitir ensinamentos à geração seguinte”; assim, ele recebeu do Senhor e transmitiu à igreja.

    11.3 –“Mas quero que saibais que Cristo é a cabeça de todo varão, e o varão, a cabeça da mulher; e Deus, a cabeça de Cristo.”

    V.3 – Principiando a aplicação do ensino, Paulo, sob a atuação do Espírito Santo, revela que a vontade de Deus é que “saibamos”, isto é, não sejamos “ignorantes” do significado daquilo que o Senhor havia ordenado. O primeiro significado importante, é o simbolismo do vocábulo “cabeça”(gr. kephalê ): – “ Cristo é a cabeça de todo varão, e o varão, a cabeça da mulher, e Deus ,a cabeça de Cristo”. Neste simbolismo de “cabeça,” se entende e interpreta por “chefia” ou “autoridade,“ assim, Cristo é a “autoridade”(cabeça) do homem, o homem “autoridade” (cabeça) da mulher, e Deus é a “ autoridade”(cabeça) de Cristo.

    11.4 –“Todo homem que ora ou profetiza, tendo a cabeça coberta, desonra a sua própria cabeça.”

    V.4 – Nesse verso, é ensino do Espírito Santo, que “todo homem que ora ou profetiza tendo a cabeça coberta, desonra a própria cabeça”. Sendo, portanto, “cabeça” figura de “autoridade”, o homem cobrindo-a, estará “cobrindo” ou “escondendo” no culto, aquele que exerce autoridade sobre si,isto é, CRISTO ; estará proclamando(simbolicamente) que a autoridade dEle não está sendo reconhecida ali; expondo-o à “desonra”(gr.kataischunõ = confundir, humilhar, desonrar, envergonhar). Com esse ato, pergunto : – Quem estará exercendo a autoridade no culto se, simbolicamente, essa autoridade está “coberta, escondida” ?
    Certamente a resposta por trás desse ato é que há uma “outra”(gr. heteros) autoridade “descoberta” na igreja que não seja a de Cristo. Assim, é bom voltarmos ao verso 3 e lermos, “ mas quero que saibais” !

    Vejamos o que declara o erudito Louis Berkhof, acerca da presença de Cristo na igreja :

    “Ele sempre está presente na Igreja quando esta se reúne para o culto, e fala e age por meio dos seus oficiais. É Cristo como Rei que lhes possibilita falar e agir com autoridade, Mt 10.40; 2 Co 13.3.”(Teologia Sistemática – Louis Berkhof, pág. 536).

    É por isso que Paulo afirma que o homem não pode cobrir a cabeça, pois estará cobrindo ou escondendo(simbolicamente) a autoridade de Cristo na igreja!

    11.5 – “Mas toda mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta desonra a sua própria cabeça, porque é como se estivesse rapada.
    11.6 – Portanto, se a mulher não se cobre com véu, tosquie-se também. Mas, se para a mulher é coisa indecente tosquiar-se ou rapar-se, que ponha o véu.”

    Vs. 5-6 – Dando prosseguimento, nestes versos, o Espírito Santo nos transmite um ensino muito importante, o qual devemos tomar todo o cuidado para que em nada possamos ofender a Deus e sua “Sabedoria” (Cristo). O Senhor, na sua onisciência, não nos deixou um estatuto imperfeito. “Mas toda mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta, desonra sua própria “cabeça” ( v.5); isto é, o “homem” !
    Assim, a mulher estará proclamando através desse ato exterior, que está desonrando o homem, sua “cabeça” ou autoridade, tudo isso no culto, que deveria ser para honra e glória de Deus, quem isso afirma é a “Escritura” e não o servo de Deus que faz este comentário! Então, como anteriormente foi feito uma pergunta sobre quem estaria exercendo a “ autoridade” no culto, a resposta é que, no ato do homem cobrir a sua “cabeça”(autoridade) e a mulher descobrir a sua “cabeça” (autoridade); irrefutavelmente, a própria Escritura está ensinando que “não só” o homem está exercendo sua “autoridade”(cabeça da mulher descoberta), mas a mulher está manifestando a sua própria “glória”( v.14), enquanto a autoridade de Cristo e glória de Deus que deveria ser “descoberta e manifestada”, foi coberta, ocultada!

    Ficaria incompleta esta matéria, se não fosse exposta aqui uma questão : – “Quando o homem está com a sua cabeça“ descoberta” e da mesma forma a mulher se apresentar com a cabeça “descoberta” na reunião de adoração, fica claro que, duas cabeças estão descobertas, assumindo ( figurativamente) a autoridade na igreja” !! Quanto a isso, Deus deixou claro ao ordenar ao homem descobrir a cabeça e a mulher cobrir a sua. Para a igreja reunida, em culto de adoração a Deus, o Senhor estabeleceu, somente uma “cabeça” (autoridade) sobre a igreja, a de Cristo Jesus, seu Filho amado ! Portanto, prezado irmão, não cubra sua “cabeça” na reunião dos santos, e você irmã, cubra a sua “cabeça” no culto, para que a “autoridade” do homem seja coberta, escondida, diante da supremacia de Cristo, com este ato, você está também cobrindo sua “glória”(cabelo comprido) e somente é manifesta “uma” glória, a de Deus, e
    somente “uma” autoridade, a de Cristo Jesus, nosso Senhor! Aleluia!

    Porém, se a mulher não se cobrir com véu, há o IMPERATIVO que “rape” ou que se “tosquie” ! Esse imperativo é que, pelo fato dela não se cobrir, estará expondo sua “cabeça” (ou autoridade) à vergonha, desonra; assim, “rapando” a cabeça também estará destituída de “glória”(cabelo comprido), tornando assim, como as que rapam a cabeça , significando sem autoridade e sem glória . Destarte, se para ela é coisa indecente o tosquiar-se ou rapar, “que se cubra”, isto é, use véu .

    “ Que se cubra, ” no original grego é “ katakaluptesthô, ” cujo verbo é “ katakaluptô ” o qual está na 3ª pessoa do singular, no tempo PRESENTE do IMPERATIVO . Assim, o véu de que aqui se fala não é o “cabelo” do verso 15; pois, presentemente, Paulo não iria ordenar às nossas irmãs a pôr “ cabelo ” (?) quando estavam na reunião de adoração, naquela época, creio eu, não existia implante de “cabelo” como nos dia atuais ( só se for peruca) . Assim, como o verbo está no modo IMPERATIVO, é uma ordem ou mandato ! Este ensinamento de 1° Coríntios 11. 1-16, contém doutrina para o homem e para a mulher, e se opõe ao que alguns intérpretes sugerem, dizendo ser um “ costume ” puramente oriental.

    A Escritura contradiz abertamente esses intérpretes, ao dizer : “ O homem, pois, não deve cobrir a cabeça” ( gr. ouk opheilei katakaluptesthai ), significa literalmente “ não deve trazer algo sobre ( a cabeça ). “Acompanhado de um advérbio de negação “ouk,” o presente do imperativo proíbe uma ação que está em andamento, ou que está se repetindo, deve cessar, deve acabar!” ( Noções do Grego Bíblico – Gramática Fundamental, pág. 269).

    “Não pode haver verdadeira teologia bíblica, a menos que seja baseada em exegese bíblica sã, e não pode haver exegese bíblica sã, a menos que seja posto um firme fundamento textual e gramatical.” ( F. F. Bruce – Chefe do Departamento de Literatura de História Bíblica da Universidade de Sheffield – Dicionário Vine). (A ênfase é minha).

    Tal mandamento proibitivo ocorreu pela presença de Cristãos judeus ( Atos 18. 4 ), pois, estes, segundo o costume e ensino rabínico “cobriam” ( e cobrem) suas cabeças quando oravam, vejam, 1º Cor.11.1-16 não está transmitindo “costume” do judaísmo aos gregos; pois, aqueles cobriam e cobrem a cabeça, até ao dia de hoje, no entanto, 1º Cor.11.1-16 contrariando tal costume… “ PRO-Í-BE” !!!

    Quem realmente conhece os costumes do judaísmo e até mesmo entre os muçulmanos, sabem que estou falando a verdade , os ensinos do apóstolo à igreja difere dos costumes da época, aliás, é nova, pois faz parte da “boas novas”. Em a “Nova Enciclopédia
    Barsa, volume 13, pág. 458 ” no assunto “Talmude,” observa-se os rabinos “lendo”(ensinando) o Talmude com a “cabeça” coberta, como um reflexo de que não reconhecem a “autoridade” (cabeça) Messiânica de Jesus !
    Destarte, no “ Dicionário Vine, “ que mostra o significado Exegético e Expositivo das palavras do Antigo e Novo Testamento, no vocábulo “ descoberta,” contém as seguintes afirmações :

    Descoberta

    akatakaluptos, “descoberta” ( fornecido de a, elemento de negação, e katakaluptô, “cobrir”), é usado em I Cor. 11.5,13 (“descoberta”), com referência à injunção proibindo as mulheres estarem sem “véu” ou “ descobertas “ nas reuniões da igreja. || Pouco importando que tipo de cobertura seja, deve estar na cabeça como “ sinal de poderio” ( I Cor.11.10), cujo significado é indicado em 1 Cor. 11.3 no assunto de supremacia, e cujas razões são dadas em 1 Cor. 11.7-9 e na frase “por causa dos anjos”(1 Cor. 11.10), intimando o testemunho e interesse deles naquilo que indica a supremacia de Cristo. As injunções não era nem judaicas, que exigiam que os homens cobrissem a cabeça na oração, nem gregas, pelas quais homens e mulheres ficavam igualmente com a cabeça “descoberta”. As instruções do apóstolo Paulo eram “ mandamentos do Senhor”(1 Cor.14.37) e eram para todas as igrejas ( 1 Cor. 14.33,34).“
    (Dicionário Vine-CPAD, pág. 547) .

    P.s.: O Dicionário Exegético Vine, é aprovado pelo “Conselho de Doutrina da CPAD” (Casa Publicadora das Assembléias de Deus).

    W. E. Vine, é reconhecido como um dos principais estudiosos do grego no mundo.

    Para quem ignora o significado de “injunção” é MAN-DA-MEN-TO !

    Também, queridos irmãos, o erudito ” Louis Berkhof ” afirma como doutrina da igreja, o seguinte:

    “Num sentido muito especial, porém, ele é a cabeça* da igreja, que é o seu corpo. Ele mantém relação viva e orgânica com ela, enche-a de vida e a governa espiritualmente, Jo 15.1-8; Ef 1.10,22,23; 2.20-22; 4.15; 5.30; Cl 1.18; 2.19; 3.11.” ( Teologia Sistemática – Louis Berkhof, pág.535).

    Será que esta crença era um ‘costume’ local?
    Portanto, esta é uma doutrina cristã universal patente nas igrejas cristãs primitivas, explicada somente por Paulo em 1º Cor.11.1-16.

    Em o “Manual da Escola Dominical ”(publicação da CPAD) pág. 81, o qual ensina a diferênça entre “ costume e doutrina, “ ensina que um costume é LOCAL, mas uma doutrina é GERAL ! Conforme demonstrado no início da matéria a epístola aos Coríntios é estendível aos cristãos de TODOS os lugares; também, demonstrado pelo Dicionário Vine, as instruções do apóstolo Paulo, no assunto supracitado, eram para TODAS AS IGREJAS !!
    Como já demonstrado acima pelo “Dicionário Vine”, as mulheres no mundo grego pagão não cobriam as cabeças ( igualzinho nos dias de hoje), nos cultos, e ordena as que estão em Cristo para “cobrir”( v.6), Ora, a mulher que verdadeiramente está revestida de submissão interior, não se revestirá de submissão exterior ao mandamento Divino ( escreveu sob inspiração) em cobrir a “cabeça” (autoridade) na reunião de adoração ? Outrossim , no mundo oriental judaico e árabe, as mulheres são proibidas ao saírem de casa ( Nova Enciclopédia Barsa , volume 8, pág. 226, vocábulo “ Israel ” ) seja onde for, de se apresentar em público com a cabeça “descoberta” ( amostra em figura ).

    O Espírito Santo em 1 Cor. 11.1-16, ensina totalmente diferente, quando não estiverem no ajuntamento santo (seja onde for) o cabelo é dado em lugar de véu, ocupando o lugar, não orando ou profetizando ( v.15).

    A prova do que estou afirmando? É a Escritura, única fonte da verdade que emana de Deus! Ao ordenar “que ponha o véu”, o verbo“ pôr” está na 3ª pessoa, no modo imperativo do presente, impossível maior clareza! Isso mostra e indica que “antes” de estar no culto, no ajuntamento santo, a mulher se encontrava sem o véu, o cabelo, como diz o texto, estava ocupando o lugar, para isso foi dado em lugar, mas quando ora ou profetiza, “que ponha” o véu, já não é o cabelo, isso já foi esmiuçado anteriormente, assim, a conclusão é : A Escritura não diria ” que ponha” se elas viessem de fora com o “véu” (mantilha), mas que “ permaneça ou continue” ! “Katakaluptesthô,” cujo verbo é “katakaluptô”, está no modo imperativo, aqui, ”o modo imperativo expressa uma ordem ou mandato.

    Nesta passagem, a vontade apela direta e afirmativamente à outra” ( Noções do Grego Bíblico). O tempo verbal grego koinê PRESENTE, indica que o verbo no caso acima, não está ligado, preso ao passado, mas “que está acontecendo, estado incompleto, em andamento” ( onde ? )

    Nos países onde a mulher é proibida em sair de casa tendo a cabeça descoberta, não há problema algum em obedecer, uma vez que a palavra de Deus está regulando um problema interno, o modo do homem e da mulher se apresentar na reunião de adoração, referente ao culto, e não de um problema externo.

    ENTENDENDO A QUESTÃO DA GLÓRIA
    11.7 -“O varão, pois, não deve cobrir a cabeça, porque é a imagem e glória de Deus, mas a mulher é a glória do varão.”

    V .7 – Da mesma forma que a mulher tem mandamento de cobrir a “cabeça”(autoridade), o homem tem igual mandamento de “descobrir” a sua “cabeça”(autoridade) por ser “ imagem e glória de Deus”, mas a mulher é a “glória do varão”; de fato, a “glória de Deus” não pode ser “coberta” ou “escondida” na igreja, mas descoberta e manifestada ! O ato do homem não cobrir sua cabeça física, é um reflexo espiritual de que a glória de Deus , juntamente com a autoridade de Cristo se faz presente, quando nos reunimos para adorá-lo. Irmãos, o significado do ensino de 1° Cor. 11.1-16, é mui belo e maravilhoso, nos trás conhecimento daquilo que foi dito no princípio : “ Quero que saibais”(…) .

    11.8 – “Porque o varão não provém da mulher, mas a mulher, do varão.
    11.9 – “Porque também o varão não foi criado por causa da mulher, mas a mulher, por causa do varão.”

    Vs. 8-9 – Os versos 8 e 9, nos leva de volta à narração da criação, em Gênesis, não para mostrar “superioridade” do varão em relação à mulher; pois, diante de Deus, homem e mulher são iguais em valor, em importância; todos foram comprados pelo mesmo preço de Sangue ( Gl 3.28; I Cor. 12.13), o ensino é que, numa adoração conjunta, ambos tem “funções” representativos na igreja concernente à “cabeça” (autoridade), funções estas que devem ser respeitadas à luz da palavra de Deus .

    11.10 – “Portanto, a mulher deve ter sobre a cabeça sinal de poderio, por causa dos anjos.”

    V. 10 – Assim, amados, o uso do véu também tem uma “causa”, essa causa são os “anjos”; “deve”(gr. opheilei) vem de “dever”, obrigação resultante dos preceitos ou mandamentos da honra. Essa afirmação da Escritura derriba por terra o fraco argumento ou disfarce da “cultura” como muitos afirmam. Pois, os anjos são celestiais. Destarte, eles já presenciaram insubordinação no céu ( João 8.44; Ap.12.7-8-9) como também na terra ( Gn 3.11-Vs). Ou pensa o caro leitor que os anjos não estão mais ativos na igreja do séc. XXI, nos dias atuais, observando-nos ( Lc 1.19; Hb 1.14; Sl 34.7) ? Essa subordinação à autoridade de Cristo no culto, é algo que os próprios anjos compreendem quando a mulher cobre e o homem descobre a sua cabeça, que são simbologia de autoridades e glórias.

    Há os que afirmam que o uso do véu era por “causa” das prostitutas cultuais existentes em Corinto; tal interpretação é uma aberração à regra fundamental da hermenêutica:

    ”A bíblia interpreta a própria Bíblia, ou seja, a Bíblia por si mesma se explica”!

    E, a bíblia se explicando, diz que é por “causa”dos anjos, nós na Congregação Cristâ no Brasil, não temos o “costume” de confundir “anjos” com “prostitutas,” o que é uma “o-fen-sa” à palavra de Deus e aos anjos !!! Assim, chega a ser hilário nos acusarem chamando-nos de “ignorantes, analfabetos bíblico” no assunto citado. Bela comparação a deles, associar o uso do véu com as “prostitutas” de Corinto.

    Outrossim, a autoridade de Cristo e a glória de Deus manifestas como únicas descobertas na reunião de adoração, que deveriam estar realçadas em tais estudos, é substituída por “cultura, costume, e prostitutas de Corinto,” como ‘causa’ !!!

    Assim, a autoridade e glória do homem (metaforicamente) lutam para permanecerem manifestas no culto público, contendendo contra a o mandamento do Eterno Senhor; cujo mandamento é para que somente a autoridade de Cristo e glória de Deus sejam descobertas na “ekklêsia” (igreja) de Deus.

    “O espírito de contenda que domina o coração humano é tão atrevido que se volta contra o próprio Criador, contendendo até mesmo com Deus[...]. A recomendação válida das Escrituras para todos os tempos, para todos os lugares e para todas as pessoas é esta: “Fazei todas as coisas sem murmuração nem contendas”(Fp 2.14).”[...].
    (Tesouro de conhecimentos Bíblicos – Emílio Conde – pág. 165, 167 –CPAD).

    Estas palavras ditas acima, são verídicas. Sendo assim, clamo: – Senhor, Jesus! Perdoa-lhes, porque não sabem nem o que dizem nem o que afirmam, estes, que fazem ligações do mandamento do uso do véu, com “costumes, cultura e pior ainda, com prostitutas cultuais do templo pagão de Corinto!

    Com efeito, concordo plenamente com as palavras abaixo:

    “A Bíblia é toda a revelação Divina que necessitamos. Tudo o que for revelado sem o apoio das Escrituras é falso.”( O pregador eficaz, pág. 72 – CPAD).

    Desde quando os ensinos de Paulo referente à autoridade de Cristo e glória de Deus faziam parte da ‘cultura’ ou ‘costume’ na cidade pagâ de Corinto? Não é disso que o apóstolo está tratando na passagem de 1º Cor. 11.1-16?

    Só faltam afirmar que Paulo era “ministro da cultura”; já, em outro assunto em que o mesmo apóstolo fala sobre os “atletas que correm no estádio,” (1º Cor. 9.24-25) será que ele era “ministro dos esportes”?

    E, no tocante à “coleta para os Cristãos pobres da Judéia” (1º Cor.16.1-2)? Será que Paulo era “ministro da economia”?

    Destarte, com esse ato de submissão por parte da igreja à Cristo, os anjos se regozijam ao contemplarem que a igreja reconhece unicamente a autoridade de Cristo e uma glória, a glória de Deus sendo manifestada no ato de cobrir (a mulher) e descobrir(o homem) a cabeça na reunião de adoração e, o nosso Deus é glorificado.

    11.11 – “Todavia, nem o varão é sem a mulher, nem a mulher, sem o varão, no Senhor.
    11.12 – “Porque, como a mulher provém do varão, assim também o varão provém da mulher, mas tudo vem de Deus.”

    Vs. 11–12 – Dando continuidade, os versos 11 e 12, nos ensina que tanto homem quanto mulher provém um do outro, dependendo assim mutuamente no Senhor, e que todas as coisas provém de Deus; isto é, o nosso Deus é Soberano e independente .

    11.13 – “Julgai entre vós mesmos: é decente que a mulher ore a Deus descoberta?”

    V. 13 – No verso 13, a igreja que estava em Corinto deveria julgar a questão do véu, entre eles mesmos, porém, sempre pautados nos ensinos do apóstolo, tanto é que, a mesma igreja precisava de suas orientações, sobre várias “coisas”( 1º Cor. 7) não tendo, portanto, como resolver por si própria, assuntos doutrinários. E a resposta esperada seria um “não”, pois caso pendessem para as mulheres estarem com a cabeça “descoberta” na reunião de adoração, deveriam “rapar ou tosquiar” a cabeça (1º Cor. 11.6), o que seria uma desonra ou ausência de glória, portanto uma ordem para a mulher rapar ou tosquiar-se caso contendessem o ensino apostólico.

    11.14 – “Ou não vos ensina a mesma natureza que é desonra para o varão ter cabelo crescido?

    11.15 – “Mas ter a mulher cabelo crescido lhe é honroso, porque o cabelo lhe foi dado em lugar de véu.”

    Vs. 14-15 – É ensino apostólico o homem não usar “cabelo comprido” (gr. komaô) por ser “desonroso”, por outro lado para a mulher o usar “cabelo comprido” ( gr. komaô) lhe é uma “glória” ou “honra”(gr. doxa = honra , glória). Por isso mesmo o cabelo lhe foi dado em lugar de véu. Ora, sendo o homem a “glória de Deus”, e a mulher “glória” do homem, porventura a mulher ficará sem “glória” ? É óbvio que não. Pois, o texto afirma que o cabelo comprido lhe é uma “glória”. Por essa razão mesmo, de ser para ela uma glória, no culto ela tem de “cobri-la,” e quando se cobre, estará cobrindo a “glória do homem” juntamente com sua própria glória; Deus é glorificado tendo a sua glória descoberta na igreja, pois essa glória mediante esse ensino, indica que Ele não quer dividir com ninguém !

    O cabelo (gr. komê) lhe foi dado em lugar de véu, quando a sua cabeça se encontrar descoberta, não na reunião de culto e adoração a Deus. O Senhor, em sua sabedoria, não deixou um tamanho padrão para o comprimento do cabelo, pois, o crescimento do cabelo pode variar de mulher para mulher, sou cabeleireiro e falo com conhecimento de causa; “komaô”, indica não pôr empecilho ou obstáculo para impedir que o cabelo seja crescido ou comprido.

    Também, é digno de nota atentarmos para a expressão do verso 15 que diz, “ foi dado em lugar de “cobertura” (véu ); esse “foi dado” (gr. dedotai) indica o tempo “passado”, anterior à reunião de adoração a Deus; enquanto o verbo “cobrir” ou “pôr”( verso 6) indica o tempo “presente,” encontrando-se no ajuntamento santo . Assim, o cabelo é dado em lugar de véu não estando a mulher na reunião da igreja, no caso de se encontrar a igreja reunida, eis o mandamento para a mulher, que se encontra no tempo presente, “QUE SE CUBRA”. Tem mais, ainda não acabei, a expressão “ cobrir”(gr. katakaluptô)a qual se encontra no verso 6, referente em cobrir-se com véu, difere da expressão em lugar de “cobertura” (gr. peribolaion), o substantivo deverbativo “peribolaion” remete para o verbo “perilabô” que significa “lançar ,colocar ao redor”.

    11.16 – “Mas, se alguém quiser ser contencioso, nós não temos tal costume, nem as igrejas de Deus.”

    V. 16 – “Se alguém quiser ser contencioso, saiba que nós não temos tal costume e nem as igrejas (gr. hai ekklêsiai) de Deus.” (grifo meu).

    Ora, “CONTENCIOSO”, nada mais é do que aquele que não está revestido de submissão ao ensino supracitado. “Contencioso” (gr. philoneikos) é o mesmo que “ amante da contenda, litigioso, brigão.“ Paulo encerra o assunto, dizendo que “ nós “ ( ministério) não temos tal ” costume ” e nem as “igrejas” ( plural) de Deus .

    Assim, é verídico o que escreveu o nosso amado irmão Ismael, dizendo: “A correta aplicação deste ensino nos remete à relação de autoridade que existe entre Deus e os homens. O véu ilustra um ensino de Deus, é símbolo de algo maior e ilustra uma relação de ordem na criação de Deus.”(Ismael)

    “O véu cobria a cabeça, e não o rosto. Era, ao mesmo tempo, símbolo da subordinação da mulher ao homem e do respeito que a mulher merece. As mulheres cristãs de Corínto, no entanto, mui naturalmente estavam seguindo os costumes das mulheres gregas, as quais conservavam a cabeça descoberta quando adoravam. Por conseguinte, Paulo assevera que é vergonhoso uma mulher cristã orar ou profetizar na igreja com a cabeça sem véu. Por outro lado, Paulo se manifesta contrariamente à prática dos homens judeus e romanos, os quais oravam com a cabeça coberta, e ordena que os varôes crentes orem e profetizem de cabeça descoberta, como sinal da autoridade de que estão investidos”. ( Panorama do Novo Testamento – Robert H. Gundry, Ph. D. – pág. 314).(grifo meu).

    Alguns comentaristas afirmam que o significado “interno” da submissão contida em I Cor. 11.1-16 permanece; enquanto o ato “externo” do uso do véu “não é válido”(?) para os dias atuais. Tais comentaristas se encontram revestidos de tamanha “autoridade” (?) que se acham no direito de suprimir este ou aquele MANDAMENTO , suplantando assim, a autoridade da própria SAGRADA ESCRITURA, definindo assim, qual mandamento é válido ou … “vencido” (?). Destarte, ignorais, que a ” insubmissão do ato ” externo , não põe a descoberto a insubmissão do homem interior, do coração ( MT. 15.18-19) ? Irrefutalvelmente, SIM! “Será, que a “autoridade” (?) deles é superior à autoridade apostólica ?

    Vejamos, pois, a “origem” do que Paulo ensinava e pregava : “ Mas faço-vos saber, irmãos, que o evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens. Porque não recebi nem aprendi de homem algum, mas pela revelação de Jesus Cristo”.( Gl 1.11-12; I Cor. 14.37 – ARC). Assim, essas “coisas” que Paulo escreveu, era, e é destinada aos Cristãos de “TODOS” os lugares. Esse mandamento do Senhor é para a mulher se “cobrir” no culto de adoração, mas a “astúcia e artimanha” dos homens ( Ef. 4.14) ensina na “contramão” da palavra de Deus, dizendo que…“não precisa”ou “não é válido”(?) para os dias atuais.

    CONCLUSÃO
    Prezado leitor(a), deixo aqui uma pergunta:

    “A quem tu serves e procuras agradar, a “homens ou a Deus” ( Gl. 1.10) ?

    Pense nisso!!

    A matéria acima, foi elaborada para mostrar que o ensino de 1° Coríntios 11.1-16, não se coaduna com o “costume” da época, é diferente, “santo” (separado) e NOVO !

    “E ele é a cabeça (gr.kephalê = autoridade) do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência.”(Colossenses 1.18). (grifo meu).

    Caríssimos e mui queridos irmãos, o uso do véu na igreja transmite uma mensagem mui gloriosa: – Cristo é a ÚNICA cabeça (autoridade) descoberta em nossa reunião de adoração a Deus.

    Eis uma advertência apostólica à igreja: “Tende cuidado para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vâs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo;”[...].Colossenses 2.8.

    “E porque me chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu digo?”(palavras de Cristo no evangelho).

    Comparem esta matéria com outras que estão espalhadas pela internet, e tirem vossas conclusões.

    Que Deus vos abençoe ricamente.

    Sobre o autor
    Romário N. Cardoso é membro da Congregação Cristã no Brasil desde a data de 11 de julho de 1993, sendo chamado às fileiras do Exército do Senhor Jesus para “combater pela fé que uma vez foi dada aos santos”.

    Que a paz de Deus, a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, e a comunhão do Espírito Santo, seja convosco. Amém .

    Romário N. Cardoso

    BIBLIOGRAFIA
    Novo Testamento Interlinear Grego-Português – SBB;
    Dicionário do Grego do Novo Testamento – Paulus;
    Noções do Grego Bíblico – Gramática fundamental – Vida nova;
    Dicionário Vine -O Significado Exegético e Expositivo das Palavras do Antigo e Novo Testamento – CPAD;
    Teologia Sistemática – Louis Berkhof – Editora Cultura Cristã;
    Tesouro de Conhecimentos Bíblicos – Emilio Conde – CPAD;
    Panorama do Novo Testamento-Robert H. Gundry, PH. D;
    Manual da Escola Dominical – CPAD;
    Dicionário da Bíblia John D. Davis;
    O Pregador Eficaz – CPAD;
    Nova Enciclopédia Barsa.

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